A ausência da espera como marcador clínico da ansiedade contemporânea: uma revisão com base da DSM-5 à luz das práticas clínicas da terapia cognitiva comportamental

Autores

  • Eliziane da Silva Lima

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21892593

Palavras-chave:

Ansiedade, Terapia Cognitivo-Comportamental, Aceleração do tempo, Vida urbana, Intolerância à incerteza

Resumo

Nas grandes metrópoles contemporâneas, a experiência de espera tem sido progressivamente desvalorizada, passando a ser vivenciada como ameaça em um contexto marcado pela imediaticidade, pela aceleração do tempo e pela valorização da produtividade contínua. Esse modo de vida impõe exigências de rapidez e ajustes constantes que entram em descompasso com os limites adaptativos do organismo humano, favorecendo o surgimento e a intensificação do sofrimento psíquico, especialmente dos quadros de ansiedade. O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação entre a ausência da experiência de espera, característica do modo de vida urbano acelerado, e a manifestação dos transtornos de ansiedade descritos no DSM-5, à luz da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Trata-se de um estudo teórico, de natureza qualitativa, desenvolvido a partir de uma revisão narrativa da literatura, integrando referenciais da TCC, os critérios diagnósticos do DSM-5 e contribuições teóricas sobre aceleração do tempo, vida urbana e expectativa de vida. Os resultados da análise indicam que processos cognitivos centrais da ansiedade, como antecipação de ameaça, hipervigilância e intolerância à incerteza, são intensificados em contextos socioculturais que desvalorizam a pausa, a espera e o não saber. Nesse sentido, a ansiedade pode ser compreendida como expressão de um paradoxo do progresso, no qual avanços objetivos coexistem com um empobrecimento da vivência subjetiva do tempo. Conclui-se que a integração entre os modelos diagnósticos, a perspectiva cognitivo-comportamental e a análise do contexto urbano permitiram uma compreensão mais ampla e contextualizada do sofrimento psíquico contemporâneo, apontando para a importância de práticas clínicas que considerem não apenas o indivíduo, mas também as condições socioculturais que moldam sua experiência temporal.

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Publicado

2026-08-11

Como Citar

Lima, E. da S. (2026). A ausência da espera como marcador clínico da ansiedade contemporânea: uma revisão com base da DSM-5 à luz das práticas clínicas da terapia cognitiva comportamental. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(8), 1–26. https://doi.org/10.5281/zenodo.21892593