Na rede da leitura literária e intersemiótica

Autores

  • José Jacinto dos Santos Filho

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.22117313

Palavras-chave:

Leitura literária, Leitura intersemiótica, Signos verbais e não verbais

Resumo

O artigo discute a leitura literária como experiência criativa, imagética e intersubjetiva, enfatizando seu caráter inventivo e transformador. A literatura é compreendida como linguagem falante que convoca o leitor a produzir novas significações por meio do encontro entre palavra e imagem. A leitura, longe de ser ato passivo, constitui-se como gesto corporal e simbólico no qual o leitor reanima o texto, ativando sua memória imaginante e reconstruindo sentidos de forma singular e contínua. Dialogando com autores como Chartier (1999), Merleau-Ponty (2002), Bachelard (1988), Manguel (1997), Iser (1996) e Samoyault (2008), argumenta-se que o texto literário é sempre plurissignificativo, intertextual e sustentado por uma rede de imagens que se renova a cada leitura. Em seguida, discute-se a intersemiose como dimensão essencial da leitura contemporânea, entendida como interação entre diferentes sistemas sígnicos. A partir de Saussure (1989), Barthes (1992), Jakobson (1995), Plaza (1987) e Pignatari (2004), evidencia-se que ler é relacionar signos verbais e não verbais em permanente processo de transmutação e semiose. Assim, a leitura intersemiótica envolve a articulação de múltiplos códigos para produzir sentidos, reafirmando o leitor como coprodutor da obra e a literatura como espaço dinâmico de criação, interpretação e diálogo entre linguagens.

Referências

BACHELARD, Gaston. A poética do devaneio. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

BARTHES, Roland. Elementos de semiótica. São Paulo: Cultrix, 1992.

BUTOR, Michel. Repertório. São Paulo: Perspectiva, 1974.

CHARTIER, Roger. A revolução da leitura no ocidente. In: ABREU, Márcia. (org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1999. p. 19-31.

GOULEMOT, Jean Marie. Da leitura como produção de sentidos. In: CHARTIER, Roger. Práticas da leitura. 5. ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2011. p. 107-116.

HUTCHEON, Linda. Uma teoria da adaptação. Florianópolis, SC: UFSC, 2011.

ISER, Wolfgang. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. São Paulo: 34, 1996. 1 v.

JAKOBSON, Roman. Linguística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1995.

JENNY, Laurent. A estratégia da forma. In: Poétique: revista de teoria e análise literárias – Intertextualidades. Coimbra, PT: Almedina, 1979. n. 27. p. 5-49.

JOACHIM, Sébastien. Interdisciplinas: psicanálise, semiótica, literatura aplicada, literatura comparada. Recife, PE: UFPE, 2012.

KOTHE, Flávio R. Literatura e sistemas intersemióticos. São Paulo: Cortez, 1981.

MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

MERLEAU-PONTY, Maurice. A prosa do mundo. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

_____. Conversas – 1948. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

NÖTH, Winfried. Panorama da semiótica: de Platão a Peirce. São Paulo: Annablume, 1995.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Texto, crítica, escritura. 3. ed. São Paulo: 2005.

PIGNATARI, Décio. Semiótica & Literatura. 6. ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2004.

PLAZA, Julio. Tradução intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 1987.

SAMOYAULT, Tiphaine. A intertextualidade. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2008.

SANTOS FILHO, Xxxx Xxxxxx dos. A formação do formador de leitores do texto literário numa relação com a pintura, fotografia e cinema. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação, Universidade Federal de Pernambuco. 2015.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 1989.

WUNENBURGER, Jean-Jacques. O imaginário. São Paulo: Loyola, 2007.

Downloads

Publicado

2026-08-26

Como Citar

Filho, J. J. dos S. (2026). Na rede da leitura literária e intersemiótica: . Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(8), 1–19. https://doi.org/10.5281/zenodo.22117313

Edição

Seção

Ensaio teórico