Entre escola e território: ancestralidade, territorialização e construção identitária na educação escolar quilombola em Orocó (PE)
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22402760Palavras-chave:
Educação Escolar Quilombola, Identidade Quilombola, Territorialização, Ancestralidade, EscrevivênciaResumo
Este artigo analisa as contribuições da Educação Escolar Quilombola para o fortalecimento dos processos identitários no Território Quilombola Águas do Velho Chico, em Orocó, Pernambuco, considerando as relações entre territorialização, ancestralidade, memória, escola e saberes comunitários. Compreende-se a identidade quilombola como construção histórica, relacional e política, produzida nas experiências coletivas e nas relações de pertencimento ao território. A pesquisa, de abordagem qualitativa, configura-se como estudo de caso e utiliza análise documental, observação participante, entrevistas semiestruturadas e grupo focal, com interpretação dos dados por meio da Análise de Conteúdo. A posição do pesquisador, pertencente ao território investigado, é assumida como dimensão constitutiva da produção do conhecimento, em diálogo com a escrevivência. Os resultados evidenciam que os processos identitários se fortalecem na articulação entre ancestralidade, memória coletiva, organização comunitária e práticas educativas territorializadas. Demonstram também que a efetivação da Educação Escolar Quilombola depende não apenas das iniciativas desenvolvidas no cotidiano da escola, mas da atuação do sistema de ensino na garantia de formação, currículo, acompanhamento e condições institucionais compatíveis com suas especificidades. Conclui-se que sua potência reside na mediação entre escola e território, reconhecendo sujeitos, experiências e saberes quilombolas como referências legítimas do processo educativo.
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