Manejo multiprofissional de gestante adolescente com angioedema hereditário em hospital universitário: relato de experiência com revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22683467Palavras-chave:
angioedema hereditário, gestação, adolescência, assistência multiprofissional, segurança do paciente, obstetrícia de alto riscoResumo
O Angioedema Hereditário (AEH) é uma doença genética rara, caracterizada pela deficiência ou disfunção do inibidor de C1-esterase, capaz de desencadear episódios recorrentes de edema em tecidos subcutâneos e submucosos, com potencial comprometimento de vias aéreas e risco de morte. Durante a gestação, alterações hormonais podem aumentar a frequência e a gravidade das crises, tornando indispensável o planejamento assistencial especializado. Este estudo teve como objetivo relatar a experiência institucional no manejo clínico e multiprofissional de uma gestante adolescente com diagnóstico prévio de Angioedema Hereditário, atendida em hospital universitário, articulando o relato ao referencial teórico atual sobre a doença, sobre a gestação na adolescência e sobre a vigilância do bem-estar fetal intraparto. Trata-se de um relato de experiência, com revisão narrativa da literatura, centrado na organização assistencial adotada desde a admissão hospitalar até o puerpério, destacando medidas preventivas, fluxos de segurança, articulação entre setores e tomada de decisão clínica diante de situação de alta complexidade. A paciente foi internada preventivamente no termo gestacional para vigilância contínua, diante do elevado risco de crise grave e da necessidade de garantir acesso oportuno à terapêutica específica. Foram implementadas estratégias como monitorização materno-fetal seriada, reserva de plasma fresco, disponibilização de medicação para crises agudas e planejamento antecipado da via de parto. Apesar da intenção inicial de condução vaginal, houve necessidade de cesariana por sofrimento fetal agudo, realizada sem intercorrências. No pós-operatório, a paciente foi monitorizada em Unidade de Terapia Intensiva, evoluindo de forma estável, sem manifestações agudas de angioedema e com alta hospitalar em boas condições clínicas. A experiência, à luz da literatura consultada, reforça que o planejamento antecipado, a atuação multiprofissional integrada e a disponibilidade terapêutica adequada são determinantes para desfechos materno-fetais favoráveis em condições raras e potencialmente fatais.
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