Síndrome de Eagle com disfunção jugular bilateral: cefaleia crônica e hipertensão intracraniana sem papiledema
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23552418Palavras-chave:
Síndrome de Eagle, Cefaleia crônica, Hipertensão intracraniana, Compressão venosa jugularResumo
A síndrome de Eagle é uma condição rara decorrente do alongamento do processo estilóide ou da calcificação do ligamento estilo-hióideo. Em sua variante vascular, a compressão extrínseca da veia jugular interna pode comprometer a drenagem venosa cerebral e resultar em hipertensão intracraniana. Este estudo tem como objetivo relatar um caso de síndrome de Eagle vascular bilateral manifestada por cefaleia crônica refratária e hipertensão intracraniana. Trata-se de uma paciente do sexo feminino, 37 anos, com cefaleia desde os 12 anos de idade, inicialmente compatível com migrânea com aura visual, que evoluiu, após infecção por COVID-19, para cefaleia crônica diária refratária a múltiplos fármacos preventivos, associada a cervicalgia, zumbido e odinofagia intermitente. O exame neurológico não demonstrou déficits focais e a fundoscopia não evidenciou papiledema; a ressonância magnética de crânio e o estudo arterial não mostraram alterações. A angiotomografia e a angiorressonância venosas demonstraram estreitamento bilateral das veias jugulares internas entre os processos estilóides e os processos transversos de C1, e a raquimanometria evidenciou pressão de abertura liquórica de 54 cmH₂O. A paciente foi submetida a descompressão cirúrgica à direita, porém manteve cefaleia diária incapacitante, e nova raquimanometria evidenciou pressão de abertura liquórica de 48 cmH₂O, motivando o encaminhamento para avaliação de abordagem contralateral. O caso reforça que a compressão venosa estilo-jugular deve integrar o diagnóstico diferencial da cefaleia crônica refratária, mesmo na ausência de papiledema, e que a compressão bilateral pode exigir descompressão em etapas.
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