Desafios e diretrizes no atendimento ginecológico de mulheres muçulmanas com suspeita de câncer de colo do útero no Sistema Único de Saúde do Brasil: uma abordagem intercultural e de combate à violência institucional

Autores

  • Antonio Neres Norberg
  • Paulo Roberto Blanco Moreira Norberg
  • Fernanda Castro Manhães
  • Bianca Magnelli Mangiavacchi
  • Geovana Santana da Silva
  • Lígia Cordeiro Matos Faial
  • Fernanda Santos Curcio
  • Kelen Salaroli Viana
  • Júlio César dos Santos Boechat
  • Alcemar Antônio Lopes de Matos
  • Ana Paula Borges de Souza
  • Lívia Mattos Martins
  • Thaís Rigueti Brasil Borges
  • Juliana Toledo Campos Arêas

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.23679859

Palavras-chave:

Saúde Ginecológica, Mulheres Muçulmanas, Sistema Único de Saúde, Interculturalidade, Câncer do Colo do Útero, Autoamostragem para HPV

Resumo

O presente artigo analisa os desafios no atendimento ginecológico a mulheres muçulmanas com suspeita de câncer de colo do útero no âmbito do Sistema Único de Saúde, propondo a incorporação de práticas e procedimentos interculturais bem-sucedidos na experiência internacional. Por meio de uma revisão narrativa da literatura científica nacional e internacional, identificam-se as barreiras socioculturais, religiosas, linguísticas e institucionais que distanciam essas usuárias do rastreamento citopatológico convencional, resultando em diagnósticos tardios e pior prognóstico oncológico. O trabalho evidencia como a imposição inflexível de exames invasivos por profissionais do sexo masculino sem privacidade adequada configura forma sutil de violência ginecológica e institucional. Como proposições práticas integradas aos princípios doutrinários e operacionais do SUS, destacam-se o agendamento flexível com garantia de atendimento exclusivamente por profissionais do sexo feminino; a adequação arquitetônica e visual dos consultórios com biombos e vestimentas de modéstia; a elaboração de materiais informativos traduzidos e sensíveis desmistificando o Papilomavírus Humano (HPV) e preservando o valor social do hímen em mulheres virgens; a atuação estratégica de mediadoras culturais e agentes comunitárias étnicas; a introdução da autoamostragem molecular para detecção do HPV como alternativa de alta resolutividade e mínima invasão; e a implementação de telessaúde multilíngue com navegação personalizada de pacientes onco-ginecológicas. A transposição dessas inovações internacionais moderniza a Atenção Primária à Saúde, assegurando o rastreamento cervical efetivo, prevenindo a violência institucional e reafirmando a dignidade e a equidade humana no sistema público de saúde brasileiro.

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Publicado

2026-10-26

Como Citar

Norberg, A. N., Norberg, P. R. B. M., Manhães, F. C., Mangiavacchi, B. M., Silva, G. S. da, Faial, L. C. M., Curcio, F. S., Viana, K. S., Boechat, J. C. dos S., Matos, A. A. L. de, Souza, A. P. B. de, Martins, L. M., Borges, T. R. B., & Arêas, J. T. C. (2026). Desafios e diretrizes no atendimento ginecológico de mulheres muçulmanas com suspeita de câncer de colo do útero no Sistema Único de Saúde do Brasil: uma abordagem intercultural e de combate à violência institucional. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(10), 1–18. https://doi.org/10.5281/zenodo.23679859