Impacto da adesão à corticoterapia nos desfechos da síndrome nefrótica em crianças: revisão sistemática e metanálise
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.23826077Palavras-chave:
Adesão à medicação, Prednisolona, Recidiva, Nefrologia pediátrica, Síntese de evidênciasResumo
Avaliar sistematicamente a frequência da não adesão terapêutica e sua relação com recaídas, hospitalizações, resistência aparente aos corticosteroides e toxicidade em crianças com síndrome nefrótica. Métodos: revisão sistemática conduzida segundo o PRISMA 2020. Foram pesquisados PubMed/MEDLINE e Europe PMC, com rastreamento adicional de referências, para estudos publicados entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Incluíram-se estudos originais com participantes de 1 a 18 anos e medida de adesão ao tratamento ou ao acompanhamento. A prevalência de não adesão foi combinada por modelo de efeitos aleatórios na escala logit; a heterogeneidade foi expressa por I². Resultados: dos 29 registros únicos, seis estudos, totalizando 1.236 participantes, foram incluídos na síntese qualitativa. Três coortes, com 1.037 participantes, apresentaram dados dicotômicos compatíveis. A prevalência combinada de não adesão foi de 46,0% (IC95%: 28,2%–65,0%), com heterogeneidade elevada (I²=95,7%). Na análise de sensibilidade que excluiu o estudo com definição composta e maior prevalência, a estimativa foi de 32,5% (IC95%: 28,5%–36,9%; I²=38,4%). Os estudos recentes não demonstraram associação consistente entre autorrelato de não adesão e recaídas futuras, mas identificaram maior vulnerabilidade entre adolescentes, famílias com menor escolaridade, moradores de áreas rurais e pacientes submetidos a esquemas complexos ou prolongados. Conclusão: a não adesão é frequente, porém sua magnitude e seu efeito clínico variam conforme o instrumento e o contexto. A avaliação rotineira deve combinar entrevista sem julgamento, reconciliação medicamentosa e monitoramento longitudinal.
Referências
BARKER, T. H. et al. The revised JBI critical appraisal tool for the assessment of risk of bias for randomized controlled trials. JBI Evidence Synthesis, v. 21, n. 3, p. 494–506, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.11124/JBIES-22-00430.
CHAN, E. Y.-H.; BOYER, O. Childhood idiopathic nephrotic syndrome: recent advancements shaping future guidelines. Pediatric Nephrology, v. 40, n. 8, p. 2431–2442, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39724419/.
HAHN, D. et al. Corticosteroid therapy for nephrotic syndrome in children. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 8, CD001533, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39171624/.
HIGGINS, J. P. T. et al. (ed.). Cochrane handbook for systematic reviews of interventions. Version 6.5. London: Cochrane, 2024. Disponível em: https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current.
HUSSEIN, S. A.; ALI, S. H. Medications and follow-up adherence of children with nephrotic syndrome. Iraqi Journal of Medical Sciences, v. 22, n. 1, p. 45–53, 2024. Disponível em: https://iraqijms.net/index.php/jms/article/view/965.
KDIGO. KDIGO 2025 clinical practice guideline for the management of nephrotic syndrome in children. Kidney International, v. 107, supl. 5S, p. S241–S289, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.kint.2024.11.007.
KOCH-NOGUEIRA, P. C. et al. Epidemiology of pediatric nephrotic syndrome: real-world data from Brazil. Glomerular Diseases, v. 5, n. 1, p. 403–413, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41321540/.
NAMBIAR, S. P. et al. Predictors of quality of life (QOL) and treatment adherence among children with nephrotic syndrome. Journal of Family Medicine and Primary Care, v. 13, n. 9, p. 3598–3602, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39464943/.
PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 71, 2021. Disponível em: https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71.
ROBINSON, C. et al. Longitudinal medication adherence in children with nephrotic syndrome and association with disease outcomes. Nephrology Dialysis Transplantation, v. 40, n. 12, p. 2300–2308, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40575922/.
ROY, R. R. et al. Non-compliance in pediatric nephrotic syndrome. Paediatric Nephrology Journal of Bangladesh, v. 6, n. 1, p. 4–12, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.4103/pnjb.pnjb_8_21.
SETYAWATI, A. N.; MELLYANA, O.; MURYAWAN, M. H. Medication adherence in patients with nephrotic syndrome. Pakistan Journal of Medical and Health Sciences, v. 14, n. 1, p. 411–414, 2020. Disponível em: https://pjmhsonline.com/2020/jan_march/pdf/411.pdf.
VIVARELLI, M. et al. Childhood nephrotic syndrome. The Lancet, v. 402, n. 10404, p. 809–824, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37659779/.
WANG, C.-S. et al. Determinants of medication adherence in childhood nephrotic syndrome and associations of adherence with clinical outcomes. Pediatric Nephrology, v. 37, n. 7, p. 1585–1595, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34796395/.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Adherence to long-term therapies: evidence for action. Geneva: WHO, 2003. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/42682.





































