Adoecimento mental de profissionais da saúde na perspectiva da saúde coletiva
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.18944043Palavras-chave:
saúde coletiva, saúde do trabalhador, profissionais da saúde, síndrome de burnout, saúde mentalResumo
O adoecimento mental entre profissionais da saúde tem se tornado um tema cada vez mais relevante no campo da saúde coletiva, considerando os impactos das condições de trabalho sobre o bem-estar físico e psicológico desses trabalhadores. O presente estudo tem como objetivo discutir os principais fatores associados ao sofrimento psíquico entre profissionais da saúde, analisando as especificidades do trabalho em saúde e os determinantes relacionados ao adoecimento mental nesse contexto. Trata-se de um estudo de natureza teórica, desenvolvido por meio de revisão da literatura, com base em produções científicas que abordam a saúde coletiva, o processo de trabalho em saúde e a Síndrome de Burnout. Os resultados evidenciam que fatores como sobrecarga de trabalho, jornadas prolongadas, múltiplos vínculos empregatícios, pressão institucional e falta de reconhecimento profissional contribuem significativamente para o surgimento de sintomas como estresse, ansiedade, depressão e esgotamento emocional. Destaca-se, nesse cenário, a Síndrome de Burnout como uma das principais manifestações de sofrimento psíquico entre trabalhadores da saúde, caracterizada pela exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional. Observa-se ainda que as condições organizacionais e estruturais dos serviços de saúde exercem influência direta sobre a saúde mental desses profissionais. Conclui-se que a compreensão do adoecimento mental na perspectiva da saúde coletiva permite ampliar a análise sobre os determinantes sociais e institucionais que influenciam o processo saúde–doença, reforçando a necessidade de políticas e estratégias voltadas à promoção da saúde mental e à melhoria das condições de trabalho no setor da saúde.
Referências
ALMEIDA-FILHO, Naomar de. O que é saúde coletiva? Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2011.
BUSS, Paulo Marchiori; PELLEGRINI FILHO, Alberto. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 77–93, 2007.
CARLOTTO, Mary Sandra; CÂMARA, Sheila Gonçalves. Síndrome de burnout em profissionais da saúde: revisão sistemática. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 20, n. 2, p. 281–292, 2015.
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Saúde pública e saúde coletiva: campo e núcleo de saberes e práticas. Campinas: Hucitec, 2007.
DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1992.
DEJOURS, Christophe. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 1–12, 1998.
MASLACH, Christina; JACKSON, Susan E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behaviour, v. 2, n. 2, p. 99–113, 1981.
MERHY, Emerson Elias. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec, 2002.
MERHY, Emerson Elias; FRANCO, Túlio Batista. Trabalho, produção do cuidado e subjetividade em saúde. São Paulo: Hucitec, 2013.
MINAYO-GOMEZ, Carlos; THEDIM-COSTA, Sonia Maria da Fonseca. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 13, supl. 2, p. 21–32, 1997.
PAIM, Jairnilson Silva. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica.Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008.
PAIM, Jairnilson Silva; ALMEIDA-FILHO, Naomar de. Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
VILAS BOAS, S. A. SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE UNIVERSITÁRIOS E SEU IMPACTO NA SAÚDE MENTAL. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 18–32, 2024. DOI: 10.5281/zenodo.10449787. Disponível em: https://revistaowl.com.br/index.php/owl/article/view/126. Acesso em: 02 set. 2025.



































