Instituto Socioambiental da Serra Grande (ISASG): enfrentamento ao tráfico da fauna e estratégias comunitárias de desenvolvimento sustentável na Caatinga pernambucana

Autores

  • Elijalma Augusto Beserra
  • Maria Jaciane de Almeida Campelo
  • Maria Augusta Maia e Souza Beserra
  • Emily Vitoria Maia e Souza Beserra
  • Jaques José da Silva Souza
  • Natercio Melo

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.19007013

Palavras-chave:

Animais silvestres, Mulheres do campo, Soltura, Desenvolvimento territorial, Políticas ambientais, Conservação ambiental

Resumo

O tráfico de animais silvestres constitui um dos principais vetores de perda de biodiversidade, comprometendo processos ecológicos essenciais e evidenciando fragilidades estruturais nas políticas ambientais, especialmente em biomas historicamente marginalizados, como a Caatinga. Único bioma exclusivamente brasileiro, apresenta elevada biodiversidade e significativo grau de endemismo, ao mesmo tempo em que enfrenta persistentes processos de degradação ambiental e vulnerabilidade socioeconômica. Este estudo tem como objetivo analisar a atuação do Instituto Socioambiental da Serra Grande (ISASG), localizado em Serra Talhada (PE), como experiência territorializada de integração entre conservação ambiental da fauna e da flora, enfrentamento indireto ao tráfico de animais silvestres, desenvolvimento sustentável e inclusão social no Semiárido brasileiro. Adota-se abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e sistematização de informações institucionais. Os resultados demonstram que o ISASG realiza a gestão de Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) e Área de Soltura e Monitoramento de Fauna Silvestre (ASMFS), tendo reintroduzido, entre 2021 e 2026, 1.641 indivíduos, sendo 1.244 aves, 389 répteis e 8 mamíferos. Destacam-se ainda ações de reflorestamento com espécies nativas, articulação com instituições públicas e acadêmicas e fortalecimento de iniciativas produtivas, como a elaboração de geleias, compotas e doces protagonizadas por mulheres do campo, configurando estratégia integrada de recuperação ecológica e desenvolvimento territorial. Conclui-se que a experiência analisada contribui para a conservação da biodiversidade da Caatinga e evidencia que a efetividade das políticas ambientais no Semiárido depende da articulação entre justiça social, saberes locais, soberania alimentar, equidade de gênero e participação comunitária.

Referências

ABRAMOVAY, Ricardo. Muito além da economia verde. São Paulo: Abril, 2012. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/216478635/LIvro-Muito-Alem-da-Economia-Verde-2012. Acesso em: 12 nov. 2025.

ABRAMOVAY, Ricardo. O capital social dos territórios: repensando o desenvolvimento rural. Revista de Economia Política, v. 4, n. 2, p. 379–397, 2000. Disponível em: https://revistas.usp.br/ecoa/article/view/218794/199885. Acesso em: 10 nov. 2025.

BESERRA, Elijalma Augusto et al. A urbanização das áreas de sequeiro do município de Petrolina/PE: O caso do Distrito de Curral Queimado. Espaço Urbano: Mobilidade, Saneamento, Arquitetura, Patrimônio, Meio Ambiente, Volume 1, p. 68. Organização: Fabiane dos Santos. Belo Horizonte– MG: Poisson, 2022.

BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

BOFF, Leonardo. Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.

BONET, Ma Antonia Ribas; MORENO, Antonia Sajardo. La desigual participación de hombres y mujeres en la economía social: teorías explicativas. CIRIEC – España: Revista de Economía Pública, Social y Cooperativa, n. 50, p. 77-103. nov. 2004. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/174/17405005.pdf. Acesso em; 10 nov. 2025.

BRASIL. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Instrução Normativa nº 5, de 13 de maio de 2021. Dispõe sobre as diretrizes, prazos e os procedimentos para a operacionalização dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetras) do Ibama, bem como para a destinação de animais silvestres apreendidos, resgatados ou entregues espontaneamente a esses centros. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2021. Disponível em: https://www.ibama.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&legislacao=139089. Acesso em: 14 nov. 2025.

BRASIL. Decreto nº 2.652, de 1º de julho de 1998. Dispõe sobre a Promulgação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinada em Nova York, em 9 de maio de 1992. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2652.htm. Acesso em: 14 nov. 2025.

CAPORAL, Francisco Roberto; COSTABEBER, José Antônio. Agroecologia: enfoque científico e estratégico. Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável, v. 3, n. 2, p. 13-16, 2002.

CAPORAL, Francisco Roberto; AZEVEDO, Edmilson Silva de (org.). Princípios e perspectivas da agroecologia. Curitiba, PR: IFPR, 2011. Disponível em: https://www.portalsdr.ba.gov.br/_portal/anexos/anexo_acervo_digital/PRINCIPIOS_E_PERSPECTIVAS_DA_AGROECOLOGIA_-_IFPR1.pdf. Acesso em: 11 nov. 2025.

CAPORAL, Francisco Roberto; AZEVEDO, Edmilson Silva de (org.). Extensão rural e agroecologia: caminhos para o desenvolvimento sustentável. Brasília, DF: MDA, 2011.

DA SILVA, José Graziano. O novo rural brasileiro. Nova Economia, [S. l.], v. 7, n. 1, 2013. Disponível em: https://revistas.face.ufmg.br/index.php/novaeconomia/article/view/2253. Acesso em: 29 jan. 2026.

DE SÁ, Giovanni Alves Duarte. Honra, poder e parentela política: reflexões sociológicas a partir de um estudo de caso no Sertão Pernambucano. Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais, n. 25. Araraquara, p. 209-228, 2018. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/11586/8130. Acesso em: 25 nov. 2025.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Disponível em: https://nepegeo.paginas.ufsc.br/files/2018/11/Pedagogia-da-Autonomia-Paulo-Freire.pdf. Acesso em: 01 nov. 2025.

FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 15. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013. Disponível em: https://fasam.edu.br/wp-content/uploads/2020/07/Extensao-ou-Comunicacao-1.pdf. Acesso em: 29 out. 2025.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 7ª. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Biomas e sistema costeiro-marinho do Brasil: compatível com a escala 1:250 000. Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. Série Relatórios Metodológicos, v.45, 2019.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 104 p. Disponível em: https://cpdel.ifcs.ufrj.br/wp-content/uploads/2020/10/Ailton-Krenak-Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo.pdf. Acesso em; 22 dez. 2025.

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. Disponível em: https://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/LAPRAFE/Acervo/Ailton%20Krenak%20-%20A%20vida%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20%C3%BAtil.pdf. Acesso em: 18 jan. 2026.

LACAVA, Ulisses. (Coord.). Tráfico de animais silvestres no Brasil: um diagnóstico preliminar. Brasília: WWF (World Wide Fund for Nature) -Brasil. 2000. 54 p. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/sites/default/files/documents/L3D00033.pdf. Acesso em: 17 jan. 2026.

LEAL, Inara R.; TABARELLI, Marcelo; SILVA, José Maria Cardoso da (org.). Ecologia e conservação da Caatinga. 2. ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2015. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=22426. Acesso em: 10 Dez. 2025.

LEÓN, Inocencia María Martínez; LARIO, Narciso Arcas; HERNÁNDEZ, Margarita García. La influencia del género sobre la responsabilidad social empresarial en las entidades de economía social. REVESCO. Revista de Estudios Cooperativos, n. 105, p. 143-172, 2011. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/367/36718802007.pdf. Acesso em: 11 nov. 2025.

MAGALHÃES, Janaina Silvestre. Tráfico de animais silvestres no Brasil. 56 f. TCC (Graduação) - Centro Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Brasília, 2002. Disponível em: https://repositorio.uniceub.br/jspui/handle/123456789/2431. Acesso em: 12 jan. 2026.

MALUF, Renato Sérgio. Segurança alimentar e nutricional: conceitos fundamentais. Petrópolis: Vozes, 2007. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/751265503/2007-Seguranca-Alimentar-e-Nutricional-Maluf. Acesso em 20 jan. 2026.

MOREIRA, Roberto José. Críticas ambientalistas à revolução verde. Estudos sociedade e agricultura, v. 8, n. 2, 2000. p. 39–52. Disponível em: https://mail.revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/176. Acesso em: 14 dez. 2025.

PALHETA, João Marcio et al. Justiça e governança socioclimática: caminhos para a sustentabilidade global. Amazônia em debate: justiça socioambiental e sustentabilidade para um novo marco global rumo à COP, Belém/PA: GAPTA/UFPA, p. 11 - 24. 2025. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1BJJFXiLMxW-z_g6uMQvOdUVCPdncXoHS/view. Acesso em: 10 dez. 2025.

RENCTAS - Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, 2001, p.107. Disponível em: https://www.renctas.org.br/trafico-de-animais/. Acesso em: 11 fev. 2026.

SÁ, Antonia Alikaene de; SOUSA, Caíque Rodrigues de Carvalho. Biodiversidade e conservação da caatinga: um desafio para a ciência. Revista Contemporânea, [S. l.], v. 4, n. 12, p. e7136, 2024. DOI: 10.56083/RCV4N12-258. Disponível em: https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/7136. Acesso em: 20 nov. 2025.

SALDANHA, Polliana de Oliveira; PEIXOTO, Rosana da Silva. Análise bibliográfica do tráfico de animais silvestres no Nordeste do Brasil na última década. Revista Multidisciplinar do Núcleo de Pesquisa e Extensão (RevNUPE), [S. l.], v. 1, n. 1, p. e202102, 2021. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/revnupe/article/view/12002. Acesso em: 24 jan. 2026.

SABOURIN, Eric. Camponeses do Brasil: entre a troca mercantil e a reciprocidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2009. Disponível em: https://hal.science/hal-02840130/document. Acesso em: 10 dez. 2025.

SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável/ organizado: Paula Yone Storh . Rio de Janeiro: Garamond, 2002, p. 96. Disponível em: https://pt.scribd.com/doc/310532536/Caminhos-Para-o-Desenvolvimento-Sustentavel-Ignacy-Sachs. Acesso em: 27 de nov. 2025.

SACHS, Ignacy. Desenvolvimento includente, sustentável e sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004, p. 251. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/481223570/Desenvolvimento-includente-sustentavel-sustentado-LIVRO-kupdf-net-pdf. Acesso em: 28 nov. 2025.

SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Desenvolvimento como liberdade - Amartya Sen; tradução Laura Teixeira Motta; revisão técnica Ricardo Doninelli Mendes. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Disponível em: https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/80156.pdf?srsltid=AfmBOoqJO0cnLkIV1IqRS6MigdCA3aoBacfs9QKfaAIrcR4emKfjRnrp. Acesso em: 10 nov. 2025.

Downloads

Publicado

2026-03-13

Como Citar

Beserra, E. A., Campelo, M. J. de A., Beserra, M. A. M. e S., Beserra, E. V. M. e S., Souza, J. J. da S., & Melo, N. (2026). Instituto Socioambiental da Serra Grande (ISASG): enfrentamento ao tráfico da fauna e estratégias comunitárias de desenvolvimento sustentável na Caatinga pernambucana. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(3), 1–32. https://doi.org/10.5281/zenodo.19007013