Trabalho escravo contemporâneo e pós-resgate: políticas integradas para a ruptura do ciclo da vulnerabilidade
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.19354131Palavras-chave:
Trabalho escravo contemporâneo, Pós-resgate, Ciclo da vulnerabilidade, Política emancipatória, Direitos humanosResumo
O artigo examina o trabalho escravo contemporâneo a partir da relação entre vulnerabilidade social, revitimização e insuficiência das respostas centradas exclusivamente no resgate e na repressão. O problema de pesquisa consiste em investigar em que medida políticas integradas de pós-resgate, analisadas a partir da experiência do Movimento Ação Integrada e de arranjos institucionais correlatos, podem contribuir para romper o ciclo da vulnerabilidade que sustenta a reincidência no trabalho escravo contemporâneo no Brasil. A hipótese sustenta que a repressão, embora indispensável, alcança apenas parte do problema, uma vez que a persistência da escravização decorre também da continuidade de fatores estruturais como pobreza, despossessão, migração precária, baixa escolarização, fragilidade das redes de proteção e déficit de reconhecimento social. O objetivo geral é analisar o potencial emancipatório de políticas integradas de pós-resgate, articulando direitos humanos, proteção social e reinserção produtiva. O referencial teórico apoia-se em autores do campo do trabalho escravo contemporâneo, da vulnerabilidade social e do reconhecimento, bem como em instrumentos normativos nacionais e internacionais. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com análise normativa e exame crítico da experiência do Movimento Ação Integrada. Os resultados indicam que o pós-resgate constitui elo decisivo e ainda insuficientemente institucionalizado da política de enfrentamento, e que iniciativas interinstitucionais de acolhimento, qualificação, proteção social e acompanhamento ampliam as possibilidades de ruptura do ciclo da vulnerabilidade. Conclui-se que a erradicação do trabalho escravo contemporâneo exige estratégia que una repressão qualificada, prevenção estrutural e políticas emancipatórias continuadas de pós-resgate.
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