Inteligência artificial generativa: desafios para o ensino jurídico superior brasileiro

Autores

  • Gil César Costa de Paula

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.19966396

Palavras-chave:

Inteligência artificial generativa, Ensino jurídico, Educação superior, Direito comparado, Currículo jurídico

Resumo

O advento da inteligência artificial generativa impõe desafios inéditos à educação superior em Direito no Brasil. O presente artigo examina, sob o prisma do direito comparado e das ciências da educação, as transformações epistemológicas, pedagógicas e regulatórias decorrentes do uso de sistemas como ChatGPT, Gemini e similares no ensino jurídico. Analisa-se a experiência de países como Estados Unidos, Portugal, Alemanha e União Europeia, identificando tendências regulatórias e metodológicas relevantes para o contexto brasileiro. Discutem-se os impactos na integridade acadêmica, na avaliação da aprendizagem e na formação do raciocínio jurídico. Problematiza-se, ainda, a dimensão regulatória brasileira, com ênfase no Projeto de Lei n. 2.338/2023 (Marco Legal da IA) e na Resolução CNJ n. 615/2025. Conclui-se pela necessidade urgente de reformulação curricular e de novas práticas avaliativas compatíveis com o paradigma tecnológico emergente, sem abrir mão da formação humanista e eticamente comprometida que constitui a vocação essencial do Direito.

Referências

AMERICAN BAR ASSOCIATION (ABA). ABA Formal Opinion 512: Generative Artificial Intelligence Tools. Chicago: ABA Standing Committee on Ethics and Professional Responsibility, 2023.

BOHANNON, John. An AI-generated legal brief fooled a federal court. Science, Washington, DC, 26 maio 2023. Disponível em: https://www.science.org. Acesso em: 15 abr. 2026.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES n. 5, de 17 de dezembro de 2018. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 dez. 2018.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Resolução n. 615, de 22 de janeiro de 2025. Dispõe sobre o uso ético e responsável da inteligência artificial no âmbito do Poder Judiciário Nacional. Brasília, DF: CNJ, 2025.

BRASIL. Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 15 ago. 2018.

BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei n. 2.338, de 2023. Dispõe sobre o uso da inteligência artificial. Brasília, DF: Senado Federal, 2023.

CONSEJO INTERUNIVERSITARIO NACIONAL (CIN). Recomendaciones para el uso ético de la inteligencia artificial generativa en la producción científica. Buenos Aires: CIN, 2023.

DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. Tradução de Nelson Boeira. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

FLORIDI, Luciano et al. An ethical framework for a good AI society: opportunities, risks, principles, and recommendations. Minds and Machines, Dordrecht, v. 28, n. 4, p. 689-707, 2023.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 65. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

GHIRARDI, José Garcez. O instante do encontro: questões fundamentais para o ensino jurídico. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 2012.

GHIRARDI, José Garcez; FEFERBAUM, Marina. Inteligência artificial e ensino jurídico: um panorama preliminar das práticas discentes em cursos de Direito no Brasil. São Paulo: FGV Direito SP, 2023. (Relatório de Pesquisa.)

HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. v. 1.

HOCHSCHULREKTORENKONFERENZ (HRK). Künstliche Intelligenz in Hochschule und Wissenschaft: Empfehlungen der HRK. Bonn: HRK, 2023.

KATZ, Daniel Martin et al. GPT-4 passes the bar exam. SSRN Electronic Journal, Rochester, NY, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.2139/ssrn.4389233. Acesso em: 10 abr. 2026.

LINN, Marcia C.; EYLON, Bat-Sheva. Science learning and instruction: taking advantage of technology to promote knowledge integration. New York: Routledge, 2011.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

NODDINGS, Nel. Caring: a relational approach to ethics and moral education. 2. ed. Berkeley: University of California Press, 2013.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB). Código de Ética e Disciplina da OAB. Brasília, DF: OAB, 2023a.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB). Diagnóstico dos Cursos de Direito no Brasil. Brasília, DF: OAB, 2023.

ORDEM DOS ADVOGADOS PORTUGUESA (OAP). Circular sobre o uso de inteligência artificial generativa na prática jurídica e no ensino do Direito. Lisboa: OAP, 2023.

PERKINS, Mike; ROE, Jasper. Academic integrity considerations of AI Large Language Models in the post-pandemic era: ChatGPT and beyond. Journal of University Teaching & Learning Practice, Wollongong, v. 20, n. 2, art. 07, 2023.

RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Tradução de Almiro Pisetta e Lenita Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

RODRIGUES, Horácio Wanderlei. Pensando o ensino do Direito no século XXI: diretrizes curriculares, projeto pedagógico e outras questões pertinentes. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2005.

RUSSELL, Stuart; NORVIG, Peter. Artificial intelligence: a modern approach. 4. ed. Hoboken: Pearson, 2022.

SELWYN, Neil. Education and technology: key issues and debates. 3. ed. London: Bloomsbury, 2022.

STIEGLER, Bernard. The neganthropocene. Tradução de Daniel Ross. London: Open Humanities Press, 2018.

UNESCO. Guidance for generative AI in education and research. Paris: UNESCO, 2023. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000386693. Acesso em: 10 abr. 2026.

UNIÃO EUROPEIA. Regulamento (UE) 2024/1689 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024, que estabelece regras harmonizadas em matéria de inteligência artificial (Lei de Inteligência Artificial). Jornal Oficial da União Europeia: L, Bruxelas, 12 jul. 2024.

VENÂNCIO FILHO, Alberto. Das arcadas ao bacharelismo: 150 anos de ensino jurídico no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1982.

Downloads

Publicado

2026-05-02

Como Citar

Paula, G. C. C. de. (2026). Inteligência artificial generativa: desafios para o ensino jurídico superior brasileiro. Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(5), 1–22. https://doi.org/10.5281/zenodo.19966396