Mulheres e resistência na ditadura civil-militar brasileira (1968-1979): a violência estatal entre cultura e práticas jurídicas

Autores

  • Monique Rodrigues Lopes
  • Mara Rodrigues Lopes

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20319823

Palavras-chave:

mulheres na ditadura civil-militar, história do direito das mulheres, resistência feminina na ditadura civil- militar brasileira

Resumo

Este artigo analisa as trajetórias de luta e as torturas sofridas por mulheres militantes durante a ditadura civil-militar brasileira (1968–1979). A investigação foca na violência perpetrada por agentes estatais entre a instituição do AI-5 e a Lei de Anistia, período em que a Justiça Militar consolidou uma nova ordem jurídica para julgar crimes políticos. A pesquisa fundamenta-se em fontes documentais do Tribunal Militar, como Livros de Acórdãos e Inquéritos, priorizando os autos de qualificação e interrogatório. O objetivo é compreender a violência estatal sob uma perspectiva de gênero, identificando práticas que visavam punir não apenas a militância, mas a "audácia" de desafiar estruturas patriarcais. Na prisão, tal violência distinguia-se pelo caráter sexual e por ataques à maternidade, utilizando o estupro como ferramenta de dominância e poder. Através de uma história feminista do direito, o trabalho busca superar o "apagamento" histórico que posiciona mulheres como coadjuvantes. Amparado em autoras como Gerda Lerner e Michelle Perrot, o texto questiona as lacunas do direito tradicional e a hegemonia masculina na narrativa do passado. Conclui-se que visibilizar essas trajetórias é essencial para a emancipação feminina, rompendo com o monopólio interpretativo dos homens sobre a coisa pública e resgatando o protagonismo político das mulheres na resistência à ditadura.

Referências

ARNS, Paulo Evaristo 1988 Perfil dos atingidos - projeto Brasil: nunca mais, Petrópolis, Vozes.

ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil: nunca mais 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1985.

BECCARIA, Cesare. Dos delitos e das penas. São Paulo: EDIPRO, 2013.

COLLING, Ana Maria (1997). A resistência da mulher à ditadura militar no Brasil. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.

CUBAS, C. Igreja Católica em tempos de ditadura militar. Fronteiras: Revista Catarinense de História, n. 24, p. 7, 6 jun. 2018. Disponível em: DAUPHIN, Cécile et al. A história das mulheres. A Cultura e poder das mulheres: ensaios de historiografia. Gênero. Niterói, v.2, n.1, p. 7-30, 200.

GOHN, Maria da Glória. Teorias sobre os movimentos sociais: o debate contemporâneo. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v.16, n.47, 2011.p.138.

HOLANDA, Heloísa Buarque de. Explosão feminista: arte, cultura e universidade.1 ed- São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p.14.

LERNER, Gerda. A criação do Patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens/ trad. Luiza Sellera- São Paulo: Cultrix, 2019

MACHADO, Lia Zanotta. Feminismos brasileiros nas relações com o Estado. Contextos e incertezas. Cadernos Pagu, n.47, 2016.

MERLINO, Tatiana.; OJEDA, I. (Org.). Direito à memória e à verdade: luta, substantivo feminino. São Paulo: Caros Amigos; Brasília: Secretaria Especial de Política para Mulheres: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, 2010.

PEREIRA, Antony W. Ditadura e repressão: autoritarismo e o estado democrático de direito no Brasil, no Chile e na Argentina; trad. Patricia de Queiroz Carvalho Zimbres. _ São Paulo: Paz e Terra, 2010.

PINTO, Céli Regina Jardim. Uma história do Feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.

PINSKY, Carla Bassanezi, Pedro, Joana Maria. Apresentação: In: PINSKY, Carla Bassanezi. PEDRO, Joana Maria. Nova história das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013.p.18.

SARTI, Cynthia (2004). O feminismo brasileiro desde os anos 1970: Revisitando uma trajetória. Estudos Feministas, Florianópolis, 12(2), 35-50.

SILVA, Natanael de Freitas. Ditadura civil-militar no Brasil e a ordem de gênero: masculinidades e feminilidades vigiadas. Mosaico, Rio de Janeiro, v. 7, n. 11, 2016.

TELES, Maria Amélia de Almeida. O protagonismo das mulheres na luta contra a Ditadura Militar. Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos, Bauru, v. 2, n. 2, p. 9-18, jun. 2014. Disponível em: https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/download/173/97. Acesso em: 01 ago. 2024.

Downloads

Publicado

2026-05-20

Como Citar

Lopes, M. R., & Lopes, M. R. (2026). Mulheres e resistência na ditadura civil-militar brasileira (1968-1979): a violência estatal entre cultura e práticas jurídicas: . Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(5), 1–26. https://doi.org/10.5281/zenodo.20319823