A máscara e o estranho: persona, alienação e educação em "Ensaio sobre a cegueira"
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.20603450Palavras-chave:
máscara, alteridade, psicanálise, educação, Ensaio sobre a cegueira, estranhamento, subjetividadeResumo
Este artigo analisa a articulação entre máscara, alteridade e formação humana a partir de um diálogo entre Freud, Sartre, Nietzsche, Foucault e José Saramago. A partir da metáfora central de Ensaio sobre a cegueira, discute-se como a modernidade transforma a persona, antes mediadora simbólica, em mecanismo de defesa e alienação. Em Sartre, a máscara torna-se expressão da má-fé e da identidade cristalizada pelo olhar do outro; em Freud, a experiência do estranho (Unheimlich) revela o retorno do recalcado e o desmascaramento do sujeito. Saramago radicaliza essas tensões ao mostrar que a cegueira coletiva representa a dissolução das máscaras sociais e a exposição da violência, do desamparo e da fragilidade humana. O ensaio propõe, assim, uma pedagogia do desvelamento, na qual educação e psicanálise convergem para a formação do olhar ético, capaz de reconhecer o outro e a si mesmo. Ao integrar as noções de máscara, estranhamento e cuidado de si, a reflexão aponta a educação como espaço de elaboração, travessia e reconstrução subjetiva em tempos de “cegueiras luminosas”.
Referências
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
CARVALHO, M. O editorial e a opinião pública. São Paulo: Contexto, 2008.
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981–1982). Trad. Márcio Alves da Fonseca; Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
FREUD, Sigmund. O “estranho” (1919). In: ______. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XVII: Uma neurose infantil e outros trabalhos (1917–1919). Rio de Janeiro: Imago, 1976. p. 275–304.
KAFKA, Franz. A metamorfose. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
MARCO AURÉLIO. Meditações. Trad. André Maltês. São Paulo: Penguin–Companhia das Letras, 2017.
MARQUES, Ilda Helena. Sartre e o Existencialismo. Revista Eletrônica Print by FUNREI – Metanoia, n. 1, p. 75–80, 1998.
MENDONÇA, Daniel. O ser e o nada: uma “descoberta” filosófica dos afetos. TRANS/FORM/AÇÃO, v. 17, 1994.
MUNER, Camila. Narrativas e consciência em Saramago. [s.l.: s.n.], [s.d.].
NIETZSCHE, Friedrich. Aurora. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. Lisboa: Caminho, 1995.
SARTRE, Jean-Paul. A idade da razão (L’Âge de raison). Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Trad. Paulo Perdigão. Petrópolis: Vozes, 2011.
SCHELLING, Friedrich W. J. Filosofia da revelação (Philosophie der Offenbarung). Berlim: Reimer, 1841–1842.
SCHOPENHAUER, Arthur. Parerga e paralipomena. Trad. Jair Barboza. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
SOARES, V. (org.). O estranho e o familiar. Rio de Janeiro: Imago, 2019.



































