Compreensões do fazer matemático em curso do Proeja subsidiado por noções do Modelo dos Campos Semânticos (MCS)

Autores

  • Yasmin Giles Santana
  • João Francisco da Silva Lopes
  • Ligia Arantes Sad

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.20739880

Palavras-chave:

Educação Matemática, Educação de Jovens e Adultos, Modelo dos Campos Semânticos (MCS), Produção de significados

Resumo

Este artigo tem como objetivo relatar e analisar uma experiência pedagógica desenvolvida em uma turma do Curso Técnico em Hospedagem integrado ao Ensino Médio na modalidade Educação de Jovens e Adultos (Proeja), no contexto de aulas de Matemática. A experiência ocorreu no âmbito do Programa de Estágio Docente (PED), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (Educimat) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). A proposta foi desenvolvida ao longo de seis encontros e buscou aproximar conteúdos matemáticos das práticas profissionais da área de hospedagem, explorando situações relacionadas à organização e ao funcionamento de diferentes setores da hotelaria. A partir dessas situações, os estudantes envolvidos foram convidados a investigar como ideias matemáticas aparecem em atividades como planejamento de rotinas de trabalho, organização de estoques, cálculo de custos, uso de tabelas e cálculo de porcentagens. As discussões ocorreram por meio de apresentações e diálogos em sala de aula, nas quais os estudantes compartilharam pesquisas e experiências relacionadas ao campo profissional do curso. Embora a proposta tenha se desenvolvido ao longo de vários encontros, o texto concentra-se na análise de um encontro específico, no qual uma das alunas apresentou uma investigação relacionada ao setor de governança de um hotel, organizando um plano de trabalho para a limpeza de quartos e discutindo o uso de materiais, o tempo necessário para as tarefas e a variação no consumo de itens do estoque. A análise é realizada à luz do Modelo dos Campos Semânticos, proposto por Romulo Campos Lins, adotado como referência epistemológica do estudo. A leitura dos resíduos de enunciação mobiliza noções como produção de significado, objeto, campo semântico, espaço comunicativo e descentramento. As intervenções do professor estagiário, por meio de perguntas e comentários dirigidos à turma, contribuem para tornar mais explícitos os raciocínios envolvidos e ampliar a discussão sobre os objetos matemáticos presentes nas situações descritas. Nesse movimento, as experiências profissionais trazidas pelos estudantes passam a integrar as interações da aula, possibilitando diferentes modos de produzir significados sobre as ideias matemáticas mobilizadas. As análises indicam que práticas pedagógicas dialogam com os contextos profissionais e sociais dos estudantes, podendo favorecer a produção de conhecimentos matemáticos relacionados às suas experiências. Nesse cenário, o Modelo dos Campos Semânticos contribui na compreensão dessas interações em seu viés epistemológico, deslocando o foco do ensino da transmissão de conteúdos para o acompanhamento dos significados produzidos no interior das atividades desenvolvidas em sala de aula.

Referências

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Publicado

2026-06-17

Como Citar

Santana, Y. G., Lopes, J. F. da S., & Sad, L. A. (2026). Compreensões do fazer matemático em curso do Proeja subsidiado por noções do Modelo dos Campos Semânticos (MCS). Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(6), 1–18. https://doi.org/10.5281/zenodo.20739880