Do Norte da Itália ao Sul do Brasil: agnolini como comida de resistência no contexto migratório
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.21180212Palavras-chave:
História da alimentação, Imigração italiana, Cultura alimentar, Memória afetiva, ComensalidadeResumo
A alimentação tem importante função identitária por estar associada a memórias, a tradições, cultura e afetividade, para além de outros fatores, entre as quais se destaca a agnolini, servida em caldo, que ao longo de séculos tornou-se símbolo de memória, sociabilidade e herança cultural no norte da Itália e no sul do Brasil. O estudo empírico teve como objetivo investigar a representação e o consumo do agnolini em regiões do Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, analisando aspectos como a transmissão geracional do saber-fazer, as variações da receita, o consumo e a preferência para diferentes perfis etários. Foram aplicados questionários semiestruturados a 100 participantes de idades variadas. Os resultados revelaram que a grande maioria gosta da sopa de agnolini e a maioria relatou ter tido o primeiro contato com a comida ainda na infância. Para 70% trata-se de uma comida simbólica e afetiva, enquanto 82% a relacionam a momentos de reunião em família, confirmando o papel da comensalidade. Observou-se, ainda, que ao mesmo tempo em que se adapta às mudanças contemporâneas, preserva seu lugar como elo entre passado e presente, reafirmando a importância da cultura e identidade alimentar e da sociabilidade.
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