A objetificação do negro nos anúncios e fissuras críticas na imprensa maranhense do século XIX

Autores

  • Diêgo Ferreira de Sousa
  • Izenete Nobre Garcia
  • Alessandra Greyce Gaia Pamplona

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.21712046

Palavras-chave:

Representação do negro, Imprensa oitocentista, Escravidão no Maranhão

Resumo

Este artigo analisa a figuração do negro nos jornais maranhenses Pacotilha (1880-1909) e Publicador Maranhense (1842-1885), com ênfase nos anúncios de compra, venda e aluguel de escravizados. Partindo da hipótese de que a imprensa oitocentista atuou como instância produtora e legitimadora de representações sociais que reduziam a pessoa negra à condição de mercadoria, a pesquisa combina análise quantitativa, ao considerar a frequência dos termos relacionados ao tema, e análise qualitativa, ao interpretar o discurso veiculado nos periódicos. Os resultados indicam que os anúncios operam por meio de estratégias de coisificação e silenciamento das condições reais de exploração. Em contrapartida, os folhetins e a crítica literária, como a recepção de O Mulato, de Aluísio Azevedo, abrem fissuras no discurso hegemônico, ainda que minoritárias. Conclui-se que a imprensa maranhense oitocentista foi um espaço de tensão entre a perpetuação da lógica escravocrata e a emergência de vozes críticas, revelando as contradições de uma sociedade que se modernizava sem romper com seu passado colonial.

Referências

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Publicado

2026-07-30

Como Citar

Sousa, D. F. de, Garcia, I. N., & Pamplona, A. G. G. (2026). A objetificação do negro nos anúncios e fissuras críticas na imprensa maranhense do século XIX: . Revista OWL (OWL Journal) - REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO E EDUCAÇÃO, 4(7), 1–15. https://doi.org/10.5281/zenodo.21712046